
Em 1973, o general Pinochet lidera o golpe de estado que depõe o governo de Salvador Allende no Chile. Os ministros e autoridades depostas tornam-se presos políticos dos militares e são levados para a gelada ilha Dawson, no extremo sul do país, utilizada como campo de concentração da ditadura chilena. Os presos políticos foram submetidos a violentos interrogatórios, trabalhos forçados, constantes torturas físicas e psicológicas. Este é o cenário do longa chileno ‘Dawson Ilha 10’ – do diretor Miguel Littín – que estreou no Brasil no dia 25 de novembro.
Cristián de La Fuente interpreta um rígido oficial do exército, encarregado deste grupo de prisioneiros políticos. Benjamín Vincuña encarna Sergio Bitar, ex-ministro do governo Allende que escreveu o livro Isla 10, no qual o filme foi baseado. Dawson Ilha 10, longa metragem resultante de uma parceria entre Brasil, Chile e Venezuela, apresenta a realidade sofrida pelas vítimas de uma das mais longas e violentas ditaduras da América do Sul.
Documentário e ficção dividem a tela – já que algumas cenas são verdadeiras. A proposta é de um filme duro e lúcido, como os homens que relataram o testemunho de suas vidas.
“É exatamente neste âmbito que a essência da identidade cinematográfica de Dawson Ilha 10 pode ser encontrada. Close-ups, o olhar para aqueles que sofrem, a serenidade do ser humano, carregando pesados fardos. Preto e branco, cor, a câmera em movimento não só como janela, mas como um olho que examina e ilumina o comportamento humano. A lente do zoom e a grande angular são instrumentos a serviço do ser humano e sua história”, explica o diretor.
SOBRE O DIRETOR:
Miguel Littín foi indicado duas vezes ao Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro com Actas de Marusia e Alsino El Condor. Além de sua ligação com o cinema, Littín é também romancista. Escreveu e publicou dois romances: El Viajero de las 4 estaciones (Mondadori) e El Bandido de Ojos Transparentes (Seix Barral).
O escritor Gabriel García Márquez, prêmio Nobel de Literatura, chegou a dedicar um livro inteiro para um dos projetos cinematográficos de Miguel Littín: A aventura de Miguel Littín Clandestino no Chile. O diretor foi ao Chile clandestinamente em plena ditadura militar e filmou Acta General de Chile (1988). Para essa empreitada, Littín teve que trabalhar disfarçado e com o apoio da resistência internacional, renunciando à sua própria personalidade e identidade chilena por um ideal coletivo: lutar contra a ditadura.