Bloco carnavalesco carioca critica patrulhamento nas escolas dos livros de Monteiro Lobato
Há que diga que no Brasil tudo acaba em pizza. Outros defendem a tese que tudo acaba em samba. Inspirado nessa segunda versão, o Bloco Carnavalesco carioca “Que Merda é Essa?!” fez seu primeiro desfile no carnaval de 1995, e logo passou atrais milhares de foliões por sua irreverência e, a “merda” de cada ano passou a ser tema de seus enredos. Esse ano, com os escândalos políticos ainda acanhados, o bloco escolheu criticar os defensores do “politicamente correto” na literatura, em virtude do patrulhamento nas escolas dos livros de Monteiro Lobato, sob a acusação de racismo contra os personagens adotados em suas histórias.
A ilustração da camiseta foi criada pelo cartunista Ziraldo que traz com bastante bom humor, o desenho do escritor Monteiro Lobato abraçado com uma mulata carioca, o gato com o pau que atiraram nele, e ainda o cravo que brigou com a rosa. De acordo, com Floriano Marques, presidente do bloco, a idéia é criticar os defensores do “politicamente correto”. “Ao invés de proibir, devemos contribuir para estimular uma visão crítica por parte das crianças, valorizando nosso folclore e escritores brasileiros”.
O bloco se consagrou em Ipanema e atinge pessoas de todas as idades, uma afinada bateria comandada pelo mestre de bateria PH e ainda 50 ritmistas profissionais, com surdos, caixas, repeniques e a praia como cenário. O bloco desfilou no domingo de carnaval (06/02) saindo no bar Paz & Amor na Garcia D’Avila com Nascimento Silva.
Prêmio O GLOBO de Blocos homenageia blocos do carnaval de rua do Rio
Publicada em 21/03/2011 às 13h10m
Ludmilla de Lima
RIO – Depois de um grande festival de música, cores e alegria nas ruas do Rio, chegou a hora da – merecida – festa para quem comandou tudo isso. Pela primeira vez, os blocos cariocas são homenageados num evento promovido especialmente para eles: o Prêmio O GLOBO de Blocos, que, na noite de sexta-feira, levou ao palco do Teatro Odisseia, na Lapa, grupos que fizeram bonito neste carnaval. O troféu mais importante foi entregue ao Escravos da Mauá, que conseguiu emocionar com seu desfile no Largo da Prainha. Puxado por uma trupe de pernas de pau, com fantasias inspiradas em antigos carnavais da Zona Portuária, o bloco colocou foliões para sambar e cantar como a vida é boa na Gamboa. (Assista ao desfile do Escravos da Mauá)
A emoção foi repetida na hora de receber o prêmio principal, quando um grupo encheu o palco e puxou o samba. Ricardo Sarmento, coordenador do Escravos, agradeceu a todos que colaboraram com a magia do desfile, incluindo a Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades, que ensaiou os 35 pernas de pau. Eliane Costa, uma das organizadoras do bloco, discursou:
(Relembre em fotos os desfiles dos destaques do Prêmio O Globo de Blocos)
- Só quero saudar a ocupação do espaço público pelo bom humor, pela alegria.
Para Ricardo Sarmento, a diversidade do carnaval do Rio estava representada na festa, que promoveu um encontro raro entre integrantes de dezenas de blocos de toda a cidade:
- A festa está linda, porque o prêmio capturou toda a pluralidade que faz o carnaval de rua do Rio ser diferente.
Que Merda É Essa?! ganha prêmio pela irreverência

Os troféus foram entregues pelo editor de Rio do GLOBO, Paulo Motta, e pelo coordenador de Carnaval de Rua da Riotur, Alex Martins. O jornalista Fábio Azevedo foi o mestre de cerimônia da festa, animada pela Orquestra Revelia e por chuvas de confetes e serpentinas. O primeiro homenageado da noite foi o Que Merda É Essa?!, que levou o Prêmio Especial de Defesa da Liberdade de Expressão. Ao satirizar a tentativa de censura a um livro de Monteiro Lobato, acusado de racismo, e trazer na camiseta o escritor abraçado a uma mulata de biquíni, o bloco causou o maior bafafá deste carnaval.
Floriano Marques Torres, “ministro” da agremiação, adiantou que já procura um tema polêmico para o ano que vem.
- O prêmio é importante porque incentiva os blocos a se organizarem, a serem ainda mais coloridos – disse.
O Monobloco festejou a premiação no quesito organização, pela preocupação e pelo cuidado com os foliões.
- O Monobloco hoje em dia é uma grande família, que reúne desde os batuqueiros aos seguranças – destacou Mário Moura, um dos fundadores.
Já o Céu na Terra, de Santa Teresa, ganhou o prêmio de bloco mais colorido.
- É um prêmio para os foliões que acordam às 4h para colocar sua saia de tule, purpurina, tomar cafezinho e cair na folia – disse Rita Gama, integrante da orquestra do grupo.
Com um figurino de cone de trânsito, Henrique Baur Vieira brincou todo o carnaval e foi o vencedor do Concurso de Fantasia do site do GLOBO. Ele obteve 15,49% de um total de 1.414 votos dos internautas.
- Estou aqui todo sujo e rasgado do carnaval – brincou.
Ao receberem o troféu de canção original, os compositores Anderson Feife, Tedinho Marino, Ricardo Mello, Djalma Junior, Marcos Gerard e Dog do Leme fizeram todo mundo cantar novamente o samba “Fiat Lux”, do Imprensa Que Eu Gamo.
- O prêmio é para toda a galera que faz samba, se dedica – disse Djalma Junior.
Maestro do Cordão do Boitatá, Thiago Queiroz foi receber o prêmio do bloco, que ganhou na categoria música, com um discurso pedindo mais investimentos da prefeitura para o carnaval de rua:
- A música é nossa rainha, nossa musa inspiradora.
Prestes a completar 93 anos, o Cordão da Bola Preta, que atraiu um público de dois milhões neste carnaval, ganhou o prêmio de destaque. O presidente do grupo, Pedro Ernesto, festejou no palco com o folião Ricardo Marinho, segundo colocado do Concurso de Fantasia.
- É um prêmio que atesta o novo tempo que o Bola Preta está vivendo – disse Pedro.
Brunch é um tipo de refeição que surgiu da junção das palavras “Breakfast” (Café da manhã) e “Lunch” (almoço), para especificar aquele café da manhã com gosto de almoço. Algo bem típico dos americanos. 

Empresa investe em outros mercados e novos produtospara expandir sua atuação nos próximos anos